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Transtorno do pânico – sintomas e tratamento

Este texto foi elaborado em homenagem a algumas pessoas que estão apresentando sintomas ansiosos e principalmente aquelas que procuraram a minha ajuda através da minha página. Não é facil lidar com um transtorno ansioso, mas o primeiro passo é entender o que acontece com o corpo e a mente para que você esteja mais apta a utilizar as técnicas e estratégias para lidar com esta situação.

Ansiedade é um estado emocional comum do ser humano, que tem como função nos alertar e a reagir a situações de ameaça ou perigo. Por exemplo, quando está dirigindo e de repente um carro ultrapassa em sua frente sem aviso prévio. Se não experimentasse nenhuma ansiedade, teria mais chances de não tomar atitudes para se proteger e consequentemente poderia colidir com o carro. Mas, quando perceber que a ansiedade está ultrapassando os limites da dita “normalidade”? O problema surge quando a ansiedade se torna intensa e passa a surgir em situações não específicas, sem motivo aparente. Existem vários tipos de trastornos de ansiedade, mas o presente texto vai abordar o transtorno de pânico especificamente.

O QUE É O TRANSTORNO DO PÂNICO?

• Caracteriza-se pela presença de ataques repentinos de ansiedade, seguidos de sintomas físicos (como taquicardia, sudorese, dores no peito, tontura) e emocionais (como medo, terror e ansiedade) (Manfro et al, 2008).
• Medo de sofrer um novo ataque e evitação de eventos ou situações em que os ataques de pânico ocorreram (Manfro et al, 2008).
• Afeta a qualidade de vida do indivíduo consideravelmente e provoca grande sofrimento pessoal. Pessoas que apresentam TP utilizam frequentemente os hospitais, exames médicos e consultas (Manfro et al, 2008).

De acordo com o modelo cognitivo-comportamental, os ataques de pânico aparecem a partir de interpretações distorcidas e catastróficas de sintomas corporais como taquicardia, dores no peito, tontura que podem ser interpretadas como um infarto por exemplo (Morfro et al, 2008). Pessoas que apresentam Transtorno do Pânico costumam acreditar que algo muito ruim está acontecendo e que poderão morrer em consequência dos ataques. Pensamentos comuns são “Será que vou morrer” “Estou ficando louco”.

Após o primeiro ataque de pânico, algumas pessoas ficam apreensivas e hipervigilantes em relação aos sintomas físicos da ansiedade. Ao apresentar sensações de medo diante a possibilidade de um novo ataque, desenvolvem interpretações distorcidas e catastróficas em torno dessa possibilidade. Por exemplo, os sintomas físicos como sentimentos de estar destacado de si mesmo “Sinto que não tenho rosto, que meu rosto esta saindo de mim!” pode ser interpretado como “Acho que estou ficando louca!”.

O maior problema do TP está justamente nestas fantasias a respeito dos ataques e dos sintomas provenientes dos mesmos. A hipervigilância (vigilância excessiva) e o medo de que a crise pode voltar, faz com que a ansiedade aumenta ainda mais e a pessoa passa a se comportar de modo a evitar este ataque o que tendem a contribuir para a manutenção do quadro. Por exemplo, para essas pesssoas uma leve sensação de falta de ar é facilmente interpretada com indício de uma parada respiratória. (Shinohara, 2005).

SINTOMAS

-SÚBITA SENSAÇÃO DE INTENSA APREENSÃO, MEDO OU TERROR, EM GERAL COM SENTIMENTOS DE QUE ALGO MUITO RUIM VAI ACONTECER;

-PALPITAÇÃO OU RITMO CARDÍACO ACELERADO;

-TONTURA;

-SUOR EXCESSIVO;

-DISPNÉIA DO SONO;

-MEDO DE FICAR LOUCO OU PERDER O CONTROLE;

-DOR NO PEITO;

-SENSAÇÃO DE IRREALIDADE – DISTORÇÃO NA VISÃO DE MUNDO E DE SI MESMO QUE IMPEDE DE DIFERENCIAR A REALIDADE DA FANTASIA;

-DESPERSONALIZAÇÃO- IMPRESSÃO DE DESLIGAMENTO DO MUNDO EXTERIOR, COMO SE A PESSOA ESTIVESSE VIVENDO UM SONHO;

-ARREPIOS;

-SENSAÇÃO DE DESMAIO OU TREMOR;

-SENSAÇÕES DE FALTA DE AR;

-NÁUSEA OU DOR ABDOMINAL;

-SENTIMENTOS DE ESTAR DESTACADO DE SI MESMO;

-DORMÊNCIA OU FORMIGAMENTO;

-SENSAÇÕES DE DESMAIO;

-PENSAMENTOS DE QUE IRÁ MORRER;

-PENSAMENTOS DE QUE VAI PARTICIPAR DE UMA CENA EMBARAÇOSA;

-PENSAMENTOS DE QUE NÃO IRÁ CONSEGUIR CHEGAR EM CASA.

Para realizar o diagnóstico deve-se considerar o fator tempo, frequência, a intensidade e quantidade de sintomas. As crises precisam ser recorrentes e alterar a rotina da pessoa. O mesmo deve ser realizado por um profissional qualificado.

O QUE FAZER?

A abordagem da Terapia Cognitivo Comportamental é utilizada para eliminar a hipervigilância sobre os sintomas, corrigir interpretações e crenças distorcidas e eliminar a agorafobia. Ela objetiva corrigir interpretações catastróficas e os medos condicionados das sensações corporais e evitações identificar com clareza seus pensamentos e a entender a que emoções e comportamentos eles estão ligados. A partir dessa identificação, fazemos a avaliação de se os pensamentos são factuais ou se são distorcidos. Com o tempo a pessoa pode melhor consideravelmente sua qualidade de vida.

De acordo com a Terapia Cognitivo Comportamental, algumas técnicas podem ser utilizadas:

– ENTENDA SOBRE O TRANSTORNO, O QUE ACONTECE COM SUA MENTE E CORPO PARA QUE O CONHEÇA E DETECTE OS FATORES ENVOLVIDOS NO SEU PROBLEMA. Isto é feito através do material de leitura, indicado pelo Psicólogo, sobre o transtorno de pânico. Nesta fase, o foco é dado na clarificação dos sintomas de ansiedade e pânico, introduzindo o papel dos pensamentos na manutenção do medo e da ansiedade, e o papel da evitação e dos comportamentos de fuga na manutenção dos medos e na perpetuação do transtorno.

-TREINO RESPIRATÓRIO QUE REDUZ A ANSIEDADE. Algumas técnicas de relaxamento podem ser utilizadas para superar o transtorno de pânico como meditação, respiração diafragmática. Trabalhar a respiração de maneira lenta e profunda ao longo do dia, independente se está se sentindo bem ou não.

– QUESTIONE SEUS MEDOS E PENSAMENTOS. Depois da leitura de alguns textos e materiais educativos sobre o TP, e de ter descartado a possibilidade de uma doença física feita através de uma consulta com um médico, você vai ter evidências para questionar os seus pensamentos catastróficos. Por exemplo, se questione “Os sintomas que eu tenho são realmente um sinal de que algo ruim vai acontecer ou são sintomas de ansiedade?” “Já tive algumas crises antes e foi comprovado de que não era nenhuma doença física. Então, não tem motivo de eu ter medo de morrer ou enlouquecer” “O que eu diria para uma pessoa que estivesse passando pelo mesmo que eu estou passando?”

-PENSE POSITIVO. Os pensamentos negativos acompanhados aos ataques de pânico fazem com que a situação piore ainda mais. Por exemplo, pensar “Eu vou passar mal” “Eu vou morrer” “Eu vou desmaiar” “Eu estou ficando louco” gera sentimentos de desespero e medo e influenciam o aparecimento dos sintomas físicos. Substitua os pensamentos negativos por pensamentos mais funcionais como “Estou sentindo estas sensações, mas vai passar” “Estes sentimentos e sensações não vão durar por muito tempo”.

NÃO REAGE AO QUE ESTÁ SENTINDO. É compreensível lutarmos contra algo que não está nos fazendo bem, porém lutar contra os sintomas ansiosos muitas vezes só faz com que aumente ainda mais. Tenha consciência de que os ataques são passageiros e que não vão resultar em morte ou infarto ou outra consequência deste tipo. Respire lentamente, espere passar, pois sabe que não duram mais de 10 minutos.

Referência:

Manfro, G. Heldt, E. Cordioli, A. Otto, M. 2008. Terapia cognitivo-comportamental no transtorno de pânico. Rev. Brasileira de Psiquiatria. vol. 30, Supl II, Rio Grande do Sul.

Shinohara, H. 2005. Transtorno de pânico: da teoria à prática. Rev. Brasileira de Terapias Cognitivas. v.1, n.2, Rio de Janeiro.

 

8 de janeiro de 2016

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